Violência sexual pode aumentar em 74% o risco de problemas cardíacos em mulheres

Texto: Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação
Imagem: Freepik
Um estudo baseado em dados oficiais brasileiros aponta que mulheres que sofreram violência sexual ao longo da vida podem ter um risco 74% maior de desenvolver problemas cardíacos. A pesquisa foi publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva e analisou informações da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE em 2019, com mais de 70 mil entrevistas em todo o país.
O levantamento cruzou dados sobre violência sexual e doenças cardiovasculares, buscando entender se havia relação entre as duas situações. Segundo os pesquisadores, mulheres que relataram ter sido vítimas de violência sexual apresentaram maior incidência de infarto do miocárdio e arritmias quando comparadas às mulheres que não passaram por esse tipo de violência.
Para tornar o resultado mais confiável, a equipe de pesquisa considerou outros fatores que também poderiam interferir no risco de doenças cardíacas, como idade, cor da pele, escolaridade, orientação sexual e região de moradia. Mesmo após esse controle estatístico, a associação entre violência sexual e maior risco cardiovascular permaneceu significativa.
De acordo com Eduardo Paixão, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará, os efeitos da violência sexual não se limitam aos impactos emocionais e psicológicos imediatos. O trauma pode provocar alterações no organismo, aumentar processos inflamatórios, afetar a pressão arterial, modificar a frequência cardíaca e contribuir para quadros de ansiedade e depressão, que também estão relacionados a problemas cardiovasculares.
Outro ponto destacado pelo estudo é que experiências traumáticas podem influenciar hábitos de vida. Pessoas que passaram por violência podem apresentar maior risco de tabagismo, consumo abusivo de álcool, uso de outras substâncias, sedentarismo e alimentação inadequada, fatores que também elevam as chances de doenças do coração.
A pesquisa ainda chama atenção para a dimensão do problema no Brasil. Segundo os dados analisados, 8,61% das mulheres relataram ter sofrido algum tipo de violência sexual ao longo da vida, contra 2,1% dos homens. Os pesquisadores alertam, porém, que esse tipo de violência ainda é muito subnotificado, pois muitas vítimas não reconhecem, não denunciam ou não se sentem seguras para falar sobre o que sofreram.
Para os especialistas, os resultados reforçam a necessidade de olhar para a violência sexual também como uma questão de saúde pública. Além do acolhimento psicológico e social, profissionais de saúde precisam estar atentos aos possíveis impactos físicos de longo prazo, especialmente em relação às doenças cardiovasculares.









